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Membros da CPI da Covid temem que Renan Calheiros possa trazer danos à credibilidade da Comissão

De acordo com os senadores, Calheiros foi o responsável pelo vazamento do relatório das investigações à imprensa.

Pedro França/Agência Senado

Nesta segunda-feira, 18, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) relator da CPI da Covid-19, declarou que existe um racha no grupo majoritário da comissão, composto por senadores independentes e de oposição. Ele rebateu as críticas recebidas de colegas, devido ao vazamento de trechos do relatório final das investigações. O senador aproveitou também, para contestar as diversas perguntas dos representantes do órgão colegiado, sobre a sua atitude de atribuir 11 crimes, dentre eles o genocídio dos povos indígenas, ao presidente Jair Bolsonaro.

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Questionado se pretende retirar os crimes imputados a Bolsonaro, o parlamentar respondeu negativamente. “A maioria retirará o que quiser; apenas a maioria. Da minha parte, eu ainda tenho algumas coisas a acrescentar”, afirmou Calheiros. O relator prosseguiu dizendo que manterá sua postura, mas que a decisão sempre será pautada ao veredito da maioria, e ressaltou que o senador Randolfe Rodrigues (vice-presidente da CPI) solicitou a continuidade da investigação, com foco voltado a Paulo Guedes, ministro da Economia.

Após o vazamento de partes do relatório final para a imprensa, uma grande crise foi gerada entre os membros do grupo majoritário da comissão, denominada como G7. Com o ocorrido, os senadores estão insatisfeitos com Calheiros, alegando que ele não honrou o compromisso de manter o relatório em sigilo até que fosse analisado por eles. Essa análise estava prevista na última sexta-feira,15, que após as sugestões dos senadores, o relatório seria encaminhado ao colegiado.

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Devido ao ocorrido, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), alterou a data de leitura do relatório para amanhã, 20, tendo em vista que, estava prevista para ocorrer hoje. Aziz também pugnou pela realização da votação do relatório pelos membros do colegiado para o dia 26, terça-feira.

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Ainda ontem, Renan gerou polêmicas em seu pronunciamento, dizendo de certa forma, que o vazamento dos trechos, possui um lado positivo, alegando que existe agora a possibilidade dos membros discordarem concretamente sob algum ponto do relatório. Entretanto, a conduta do senador tem sido alvo de preocupações do G7, que acreditam que tal atitude possa ocasionar a quebra da credibilidade da Comissão da Covid.

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Os senadores do grupo majoritário, desejam que esses delitos apontados por Renan, contra o presidente, sejam alterados, com receio de que sirvam de justificativa para que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, arquive o relatório. Segundo os parlamentares, um argumento sólido acerca de quatro ou cinco crimes, seria o suficiente para responsabilizar Bolsonaro pelos milhares de óbitos ocasionados pela pandemia.

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