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Médicos dizem que eram forçados a receitar medicamento capaz de provocar hepatite fulminante a doentes com Covid-19

Além disso, os profissionais ainda estariam sendo obrigados a cumprir plantões mesmo testando positivo para o vírus.

Gerard Julien

Médicos que atuaram na linha de frente do combate a Covid-19 na Prevent Senior, uma das grandes operadoras de saúde do Brasil, relataram pressão e assédio em relação ao trabalho realizado com os pacientes infectados pelo coronavírus.

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A GloboNews entrevistou cinco médicos que já prestaram serviços à operadora. Apenas dois deles se identificaram, os outros três optaram pelo anonimato por medo de represálias.

À emissora, os profissionais contaram como funciona a rotina nas unidades que atendem ao plano. Dois deles disseram que mesmo testando positivo para a Covid-19, tiveram que cumprir seus plantões.

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Ainda de acordo com eles, a operadora constantemente insistia também para que os mesmos prescrevessem medicações que eles tem ciência de que não funcionam para estes casos e, ainda pior, que podem até mesmo agravar o quadro dos pacientes, o chamado ‘Kit Covid’, com cloroquina, azitromicina, ivermectina e a flutamida.

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Até o ano de 2004, a última medicação era utilizada para tratamento de acne, porém, após a morte de quatro mulheres por conta de hepatite fulminante relacionada ao uso da substância, a Anvisa emitiu um alerta limitando o uso do medicamento para o tratamento de câncer de próstata.

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Conversas em aplicativos de mensagens instantâneas de grupos da empresa confirmaram o relato dos entrevistados. Em uma delas, um diretor da operadora relembra os médicos a prescrever hidroxicloroquina e azitromicina a todos os pacientes internados com problemas pulmonares sem nem mesmo avisá-los do que estariam tomando.

Prontuários médicos e diversos outros documentos comprovariam também inúmeras práticas proibidas, de acordo com o estatuto do Conselho Federal de Medicina, como a ozonioterapia. 

Em nota, a Prevent Senior se limitou a negar as acusações realizadas pelos médicos e afirmou não poder dar maiores esclarecimentos, dado que não teve acesso aos documentos obtidos pela GlobonNews.

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Escrito por Higor Mendes

Redator com três anos de experiência, apaixonado por história da Segunda Guerra Mundial, política, futebol e curiosidades em geral.