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Do kit covid para a fila de transplante: medicamentos estariam levando pacientes à busca de novo fígado e à morte

Com cinco pacientes na fila de transplantes de fígado e duas mortes por hepatite, uso de kit covid causa preocupação em São Paulo

Reprodução: Terra / Estado de Minas / Grupo Leforte - Fotomontagem por Vieira Filho

O famoso kit COVID, grupo de remédios sem nenhum tipo de eficácia comprovada no tratamento ou na prevenção da doença causada pelo Coronavírus, foi responsável por levar pacientes até a fila de transplantes no estado de São Paulo.

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Defendidos pelo presidente da República Jair Messias Bolsonaro, medicamentos como azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina alcançaram uma popularidade jamais vista e tiveram suas vendas aumentadas em cerca de 557%, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Além de levar pacientes à busca de um novo fígado na fila de transplantes, o consumo desenfreado desses remédios, de acordo com médicos, está sendo apontado como a motivação de três mortes oriundas de hepatite em São Paulo.

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Dos cinco pacientes que foram direcionados à fila de transplante de fígado, sendo um deles atendidos no HC da Unicamp e os outros quatro no Hospital das Clínicas da USP, todos possuem histórico de ingestão de ivermectina após serem diagnosticados com a COVID-19.

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Medicamentos destroem caminhos da bile

De acordo com o médico Luiz Carneiro D’Albuquerque, chefe de transplantes de órgãos abdominais do HC-USP, os medicamentos são responsáveis por destruir os dutos biliares, caminhos pelos quais a bile passa antes de ser direcionada ao intestino. Assim, na ausência desses dutos, substâncias tóxicas acabam se acumulando na corrente sanguínea e causam infecções.

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Declaração do paciente

Além da declaração de Dr. D’Albuquerque, um dos pacientes da fila pelo transplante de fígado, com 57 anos, também se manifestou. De acordo com ele, sua saúde era perfeita antes de ser infectado com a COVID, mas que, ao ler estudos preliminares que demonstravam algum benefício do kit, resolveu ingerir as medicações sem eficácia comprovada. “Fiz com acompanhamento médico, mas acho que não imaginavam que isso poderia ocorrer comigo, alguém que não tinha nenhuma doença crônica”, declarou o homem.

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