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Empresária superou baques financeiros, venceu a depressão e fatura R$5 milhões no mundo dos games

Fundadora da MK + Academy,única franquia de desenvolvimento de games do país, chegou a ficar três meses na UTI.

Divulgação

Histórias de superação são comuns entre empreendedores. Mas trajetórias como a de Pathrícia Rahyanne Cardoso, 41 anos, fundadora da escola de desenvolvimento de games MK+ Academy, são tão cheias de tropeços e dificuldades que algum leitor desavisado poderia facilmente acreditar estar diante do enredo de um livro ou do roteiro de um filme.

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Até tornar-se dona de uma rede consolidada, com 23 unidades espalhadas pelo país, ela realizou vários sonhos, mas precisou vê-los desmoronarem – um depois do outro – para recomeçar do zero, por sucessivas vezes, até alcançar o sucesso como empresária. Em meio aos percalços financeiros e vítima de uma doença autoimune, Pathrícia chegou a ver a morte de perto, mas conseguiu sobreviver e finalmente prosperar nos negócios. “Deus me deu um segundo tempo de vida. E estou avançado a cada dia com a minha missão: transformar essa geração por meio da programação”, celebra.

Filha de uma família abastada do Distrito Federal, Pathrícia casou-se muito cedo, aos 16 anos, por escolha própria, em 1998. O casamento elevou o já alto padrão de vida que a jovem levava quando solteira a um novo patamar, com direito a carros de luxo, lancha e viagens internacionais. Em 2012, no entanto, quando decidiu se separar, a hoje empresária ficou sem nada e precisou mudar-se para a casa da mãe, na companhia dos dois filhos, da empregada – parceria e amiga de muito anos – e do cachorro. E, enquanto tentava reconstruir a vida cursando Direito, Pathrícia entrou em depressão.

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Com o objetivo de tentar se reerguer financeiramente, ela passou a produzir bombons para vender na faculdade. Mas, como andava muito bem vestida – com as roupas remanescentes da vida de casada – e sempre chegava ao local ao volante de um carrão – o único bem de valor que havia restado do casamento –, ninguém comprava seus doces. Poucos acreditavam que ela precisasse do dinheiro para sobreviver. Aos olhos dos colegas, Pathrícia talvez fosse vista como uma legítima “Patricinha”.

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Sem saída, a estudante decidiu apelar a um professor, pedindo que lhe desse a oportunidade de contar a sua história aos cerca de 70 colegas da sala de aula. “Eu era rica, fiquei pobre e ninguém acreditava”, narra a empresária. “Então, contei que minha condição de vida tinha mudado radicalmente e que eu estava fazendo os bombons para vender para poder recomeçar minha vida. E foi incrível. Todos passaram a comprar. Muitas pessoas me abençoaram nesse período.”

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Desde jovem, um talento para vendas

Muito antes de precisar vender chocolates na faculdade, Pathrícia já havia mostrado aptidão para vendas. Desde os 14 anos, quando começou a trabalhar com o objetivo de se tornar independente, ela sempre se deu bem neste tipo de atividade. No primeiro emprego, foi a melhor vendedora de uma loja de confecções no Shopping Conjunto Nacional, em Brasília. Depois, na época do primeiro casamento, trabalhou em outras lojas de confecções e ingressou no mercado de alto luxo.

Inquieta e “viradora”, como se define, Pathrícia sempre encontrou tempo para buscar formação e conhecimento em outras áreas. Quando jovem, fez curso de personal stylist e tornou-se consultora de moda, ao mesmo tempo em que trabalhava como modelo. Mais tarde, após a separação do primeiro marido, dedicou-se à área de Design de Interiores. Em paralelo a tantas atividades, ainda realizou o sonho de ser mãe – e não apenas uma, mas quatro vezes.

Apreciadora de música erudita, Pathrícia adora ler, fotografar e esquiar – “sempre que possível, estou na neve”. A empresária, que quando mais jovem lutou taekwondo durante muitos anos, coleciona perfumes e sapatos. E também se sente realizada na cozinha. “Tenho uma predileção muito especial pela cozinha internacional e por cozinhar, especialmente pâtisserie, que eu faço muito bem”.

O talento para as vendas, no entanto, nunca foi abandonado. Depois das roupas, Pathrícia vendeu chocolates de uma rede de franquias, produtos de maquiagem e até carros de luxo. Na época em que era vendedora da BMW, também fornecia 1.800 sanduíches naturais por semana a vários estabelecimentos de Brasília. A seguir, a convite de um ex-aluno de sua avó, ela começou a trabalhar na seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF). E, claro, encontrou uma forma de vender: na própria OAB-DF, montou uma mini boutique de lingeries sofisticadas.

O sucesso nas vendas da lojinha improvisada incentivou a abertura de sua primeira loja própria, a La Luna Lingeries, que oferecia enxovais de noivas completos – lingeries, robes, chinelos, necessaires, cuecas, semijoias, cremes, sais de banhos e presentes. O negócio também foi bem-sucedido, tanto que operou por cerca de 10 anos. Com o fim do casamento, porém, Pathrícia viu-se forçada a fechar a loja, uma vez que todos os bens da família – incluindo a La Luna – estavam no nome do então marido.

Grávida, passou três meses na UTI

O renascimento como mulher e empreendedora, que começou com a venda de bombons para os colegas após a separação, se consolidou nos anos seguintes. Já casada com o segundo marido, seu atual sócio, Renato Cardoso Pathrícia mantinha três escolas de serviços de estética e beleza em Brasília e Goiânia, além de uma escola de design e um salão de beleza de alto padrão na capital federal.

Grávida do quarto filho, o primeiro do segundo casamento, Pathrícia passou então por uma nova provação. Desta vez, foi acometida de uma doença autoimune, a Síndrome de Guillain-Barré, fraqueza muscular de aparecimento súbito causada pelo ataque do sistema imunitário ao sistema nervoso periférico. “Comecei sentindo uma dormência nos pés, em uma quinta-feira. De sexta para sábado, já havia anestesiado muito fortemente até o joelho”, conta a empresária. “A dormência foi subindo, junto com uma tremura nas pernas, e eu não conseguia parar em pé e andar.”

Três dias após o começo dos sintomas, os médicos ainda não havia descoberto a causa do problema. “Domingo, estive no Pronto Socorro, com aquela ‘anestesia’ subindo, e ninguém sabia o que era. Eu tinha crises em que não conseguia respirar, porque o diafragma parava. Eu estava morrendo e ninguém sabia por que”, revela Pathrícia, emocionada.

Em 15 dias, ela não conseguia mais nem engolir a própria saliva e já precisava usar fraldas e ser carregada para as consultas. “Fui levada às pressas para o Pronto Socorro. Fiquei na UTI durante três meses, grávida e sem me mexer. Só mexia os olhos. E o tempo todo eu estava de olhos e ouvidos atentos. Apenas não tinha reação. Eu estava morta dentro do meu corpo. Mas não desisti. Nunca duvidei que sairia dali e iria retomar tudo.”

Até estar plenamente recuperada – hoje, Pathrícia retomou sua vida normal –, foram mais de sete meses, incluindo 90 dias em uma unidade hospitalar destinada a pacientes de risco depois que deixou a UTI. Neste período, deu à luz o filho Enzo Gabriel, que nos primeiros meses de vida precisou ficar sob os cuidados de Renato – o atual marido perdeu um dos braços em um acidente automobilístico. “Eu precisava de ajuda para tudo: me coçar, tomar banho, comer. Só andava amparada”, revela a empresária.

Novo tombo financeiro

Como se não bastasse o problema de saúde, enquanto esteve hospitalizada, Pathrícia sofreu um grande prejuízo nas suas escolas, em decorrência de desvios de dinheiro feitos por funcionários, a ponto de ter de fechar quase todas – a única remanescente foi a que mais tarde daria origem à MK + Academy. “Perdi tudo. Perdi casa, carro, saúde, autoestima. A única coisa que não perdi foi minha fé, meu esposo e meus filhos” conta a empresária. “A mulher que era poderosa, proativa, que acordava às 5h30 e ia dormir à meia-noite, de repente tinha parado com tudo da noite para o dia. Foi difícil lidar com isso. Mas foi um grande aprendizado, porque nos mostrou o quanto éramos unidos.”

Antes de adoecer, porém, Pathrícia já havia começado a elaborar, em parceria com Renato, o projeto de abertura e expansão da MK+ Academy. A ideia do negócio, que nasceu inspirada na dificuldade que o casal tinha em entender um dos filhos, que passava várias horas por dia dedicado a jogos no computador e no celular, foi levada adiante e em pouco tempo consolidou-se como uma das maiores instituições – e a maior franquia – do gênero no país.

Faturamento de R$ 5 milhões em 2020

Com três unidades em Brasília, a MK + Academy fechou 2019 – quando ainda não atuava como franquia – com um faturamento de R$ 2,3 milhões. Recentemente, a empresa passou a integrar a lista de marcas com expansão acelerada pela 300 Franchising. Em 51 dias de parceria com a aceleradora, a rede de escolas vendeu 17 novas unidades em várias regiões do país.

Juntas, as unidades franqueadas já empregam, até o momento, 525 pessoas. Neste ano, a MK + Academy deve encerrar o exercício com faturamento de R$ 5 milhões. Para 2021, o objetivo é a prospecção de aproximadamente 15 mil alunos apenas no primeiro semestre. Em dois anos, a projeção é de que a rede conte com 120 unidades no país.

“A MK + Academy nasceu com um desejo de fazer a diferença no mundo de desenvolvimento de games, em um cenário onde o crescimento da indústria de jogos digitais é explosivo”, comenta Pathrícia. “Somos uma escola formada por pessoas que acreditam no crescimento e na realização de sonhos. Queremos fazer da MK+ um berço para todos os gamers designers do Brasil, tanto para quem quer ser um desenvolvedor ou para aqueles que pretendem entrar de cabeça no mundo do e-sports.”

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Escrito por Anna Müller

Bastante ativa nas redes sociais, escrevo conteúdo sobre os mais diversos assuntos para a plataforma i7 Network.