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Mulher é libertada após ter vivido por 38 anos em condições análogas à escravidão em Minas Gerais

Uma investigação do Ministério Público do Trabalho revelou a história de Madalena, uma doméstica explorada por uma família mineira.

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O caso de Madalena Gordiano, mulher que foi resgatada após viver em condições análogas à escravidão em pleno século XXI, deixou muitas pessoas chocadas com a triste história. Negra, de 46 anos, Madalena vivia desde os oito anos de idade em condições desumanas.

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Madalena foi libertada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após ter vivido em condição análoga à escravidão por 38 anos. Ela morava na cidade de Patos de Minas, que fica localizado na região do Alto Paranaíba, estado de Minas Gerais. Madalena vivia em um apartamento no centro do município mineiro e o resgate ocorreu no dia 28 de novembro.

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O quartinho de Madalena sequer tinha janelas e era desprovida de ventilação.

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A notícia foi divulgada através de uma matéria exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, que foi ao ar neste último domingo, 20 de dezembro. Quando tinha apenas oito anos, Madalena bateu à porta da docente Maria das Graças Milagres Rigueira para pedir um pedaço de pão, pois estava com fome.

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De acordo com o relato de Madalena, à época, a resposta que recebeu da professora foi de que ela não daria o pão, mas perguntou se a menina queria morar com ela. Durante todo esse período, ela viveu trabalhando sem qualquer direito trabalhista. Ela não tinha a carteira assinada. Maria das Graças, a professora que convidou Madalena para morar com ela, também nunca formalizou a adoção.

A mãe da menina concordou com a situação, pois tinha nove filhos que criava com muita dificuldade. Madalena acabou sendo tirada da escola e assumiu responsabilidade de fazer os trabalhos domésticos na nova casa, sem ter o direito de viver uma infância normal. “Não brincava. Não tinha nem uma boneca”.

Com o passar do tempo, Madalena acabou sendo rejeitada pelo marido da professora, que resolveu “doá-la” para Dalton César Milagres Rigueira, professor universitário da faculdade Unipam e filho de Maria. Na casa nova a situação era a mesma. Ela trabalhava sem direito a folga todos os dias da semana e geralmente começava os afazeres às 4h da manhã, conforme relato de vizinhos.

Durante um depoimento à polícia, Dalton afirmou que teria sido a própria Madalena que optou por largar os estudos e ele nunca teria incentivado a voltar, pois acreditava que a mulher não se beneficiaria de receber uma educação.

Suposto casamento ‘forçado’

A reportagem ainda trouxa à tona outro escândalo envolvendo a família. Em 2001, Madalena se casou com um tio de Valdirene, esposa de Dalton. O que chama a atenção é que eles não moraram juntos. O “marido” de Madalena era ex-combatente e deixou pensões para Madalena de, aproximadamente, R$ 8 mil.

Ela conta que ia ao banco com Dalton para sacar o dinheiro, mas que o “patrão” ficava com quase tudo. “Ele me dava duzentos, trezentos reais”.

Família religiosa, que ostentava luxo e supostamente aprovada no Auxílio Emergencial

Nas redes sociais de Valdirene – desativadas após a reportagem – várias postagens de fé e orações. No Instagram da filha – que é estudante de medicina – fotos de viagens e ostentações, minos que provavelmente eram bancados com a pensão de Madalena.

Além disso, mãe e filha teriam sido aprovadas para receber o Auxílio Emergencial do Governo Federal, recurso destinado às famílias de baixa renda para auxiliar neste período de pandemia.

Dalton, e sua esposa Vadirene, estão sendo investigados pelo MPT por submeter uma pessoa a condição análoga à escravidão e tráfico de pessoas. Também podem responder por apropriação indébita. A pena pode chegar a 20 anos de prisão.

Caso gerou revolta

Após a exibição da reportagem, moradores da cidade se revoltaram com a situação e agora clamam por justiça. Um perfil no Instagram (@expondocasoescravo) foi criado para expor todos os detalhes envolvendo o escândalo da família.

Faculdade afasta Dalton de suas atividades

Por meio de nota oficial, o Unipam informou que o professor universitário foi afastado de suas atividades.
Confira a nota na íntegra:

“Nós da FEPAM e do UNIPAM tomamos conhecimento de uma notícia, envolvendo caso análogo à escravidão, envolvendo um docente da instituição somente ontem, pela mídia, e informamos a todos que não comungamos com os atos ali relatados.


A FEPAM e o UNIPAM sempre irão prezar em cumprir a sua missão, que é transformar pessoas e sociedade por meio da excelência na educação. Tranquilizamos a todos: corpo discente, docentes e funcionários, bem como à comunidade em geral, de que todas as medidas cabíveis e legais já estão sendo tomadas. Ademais, informamos que o referido docente já se encontra afastado de suas atividades na instituição.”

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Escrito por Shyrlene Souza

Redatora na web desde 2016, formada em ciências contábeis, apaixonada pela redação desde criança. Escrevo sobre assuntos diversos, famosos, maternidade e notícias que se destacam no Brasil e no mundo.