Idoso com suspeitas de Covid-19 morre na fila do SUS; ele não teve direito a um leito para ser tratado

A vítima tinha se aposentado há pouco tempo e não teve tempo para usufruir de seu descanso na companhia da família.

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Uma notícia revoltante, com requintes de crueldade, aconteceu no Rio de Janeiro (RJ). Um pagador de impostos, idoso, morreu à espera de um leito para tratar suspeitas de Covid-19, mas não resistiu à demora do sistema público de saúde brasileiro. Mesmo após determinações judicias expressas para a sua transferência hospitalar, Alberto Correia de Lima, 65 anos, não teve o pedido atendido, e faleceu neste sábado (28).

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Carla Santos Lima, 33, filha do idoso, relata que um médico particular da família havia detectado comprometimento em seus pulmões, encaminhando-o para a realização de exames de raio-x. Diante da gravidade do caso, com fortes indícios de Covid-19, chegou a expedir um encaminhamento ao Hospital Municipal Raul Gazolla, na Zona Norte do Rio de Janeiro, mas a unidade alega que somente pedidos feitos pela própria rede pública são atendidos.

Desesperados com a saúde de Lima, a família recorreu a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi improvisado um auxílio para a sua respiração, por meio de um cateter de oxigênio. Enquanto recebia tratamentos paliativos, os parentes corriam contra o tempo pela sua transferência a um leito de hospital com os equipamentos adequados.

A família solicitou a defensoria pública, que expediu duas ordens exigindo que Lima fosse transferido imediatamente: a primeira à meia-noite de sexta-feira (27) e outra pela noite do mesmo dia. A vaga somente veio a ser liberada no sábado (28), pelo Hospital Pedro II, na região de Santa Cruz. No momento em que estava sendo transferido, por meio de uma ambulância, o idoso morreu, em frente a unidade.

A filha alega que a família buscará reparação, por vias judiciais, diante da negligência contra a sua vida. Além de idoso, sofria com hipertensão, diabetes e obesidade. Alberto Correia de Lima trabalhou durante toda a vida no setor ferroviário e havia se aposentado há pouco tempo. “Quando ele teve a oportunidade de ter um pouquinho de sossego, após de uma vida inteira de trabalho, foi negligenciado e não teve a como vivenciar a tranquilidade da aposentadoria dele junto a família que lutou tanto para dar uma vida digna”, desabafa Carla.

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