Carrefour diz que tenta contato com esposa de João Alberto; ela viu o marido morrer na sua frente

Milena Borges Alves nunca mais esquecerá de sua memória a fatídica noite do dia 19 de novembro de 2020.

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Milena Borges Alves viveu momentos de pânico e desespero na noite da última quinta-feira, dia 19 de novembro. O marido, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, negro, foi brutalmente espancado e assassinado por seguranças de uma unidade da rede de hipermercados Carrefour na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Ambos faziam compras no estabelecimento, e a mulher viu diante dos seus olhos a tortura contra o companheiro.

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Em entrevista para a Globo News na tarde desta sexta-feira, Alves confessou que, até o momento, ela e a família ainda não receberam o devido suporte que deveria ser prestado pela empresa envolvida na barbárie. Apesar da negligência do supermercado, agradeceu o apoio ofertado pela polícia.

“A polícia me prestou todo o atendimento, mas o Carrefour não me deu nenhuma assistência até agora. Não se manifestaram”, lamentou. A rede de supermercados, porém, alega estar entrando em contato com os familiares de Freitas. “Reiteramos que, para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam”, pontuou o Carrefour em nota para a imprensa.

Onda de protestos

A indignação pelo assassinato foi ainda mais fomentada pelas comemorações do Dia da Consciência Negra, evidenciando o quanto o país ainda precisa avançar para contornar o preconceito estrutural existente em nossa sociedade. Por todo o país, manifestantes caminharam pelas ruas pedindo justiça por Freitas.

Em São Paulo, uma unidade do Carrefour no bairro Jardins foi depredada. Parte dos manifestantes abandonaram a pacificidade do protesto e invadiram o estabelecimento, quebrando vidraças, depredando prateleiras e ateando fogo no interior da loja.

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