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Mulher com Covid-19 sofre aborto e é obrigada a voltar para casa com o feto dentro da mochila

Indígena teve que voltar para sua casa com o feto que abortara dias antes.

Divulgação - Prefeitura de Aracruz

Residente em uma aldeia situada no Espírito Santo, a indígena Jacieli Pego Ramos Bolonese, de 31 anos, concedeu uma entrevista reveladora ao Universa, do UOL, e expôs um quadro de negligência médica em tempos de Covid-19. Grávida de 15 semanas e diagnosticada com a doença, ela sofreu um aborto espontâneo em sua residência, na última semana, e foi conduzida ao hospital para a realização da curetagem – procedimento em que retirado todo o material placentário.

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A indígena deu entrada no hospital com o feto enrolado em uma gaze dentro de uma luva cirúrgica, embalado pela enfermeira-chefe da comunidade. Após a realização da curetagem, Jacieli teve que voltar para casa com o feto na mochila acondicionado em um frasco de soro fisiológico improvisado.

Jacieli conta que o hospital informou que ela teria que dar destino final ao feto, e não recebeu nenhuma outra informação. Diante disso, a indígena colocou o frasco com o feto em sua mochila e retornou para casa.

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Gravação de um vídeo

Após dois dias sem saber o que fazer com o feto, e vendo o estado psicológico abalado da esposa, o marido de Jacieli resolveu gravou um vídeo e divulgou nas redes sociais para falar sobre o ocorrido. A repercussão fez com que uma equipe do Hospital Maternidade São Camilo, onde ela havia sido atendida, aparecesse para levar o feto, afirmando que realizaria exames. O hospital afirma que abriu sindicância para investigar o caso.

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Jacieli conta que só descobriu que o procedimento realizado pelo hospital foi incorreto após pesquisas na internet. Neste tipo de caso, o hospital se responsabiliza a ficar com o feto, encaminhando-o para instituições de pesquisas, normalmente para faculdades.

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“Eu e meu marido não nos alarmamos porque a gente achava que esse era o procedimento correto. Quando tirei da mochila ele só falou que não queria ver e guardei no guarda-roupa, fechadinho. Mas quando foi domingo – um dia depois de voltar para casa do hospital – comecei a pensar no que fazer. O formol ia evaporar e o bebê começaria a se decompor ali dentro”, desabafou Jacieli, que neste período de gravidez  ainda lutou contra a Covid-19.

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